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De
um mail do nosso camarada e amigo Hélder Sousa, recebido em
27 de Maio de 2010, respigamos algumas frases, para nos
colocarmos em sintonia (ou não fossemos de transmissões),
num dos assuntos que me levou, ao Arquivo Histórico Militar.
“Bom dia, caro amigo e
camarada....
Como vai essa 'luta'
aí com as contas? Calculo que 'durinho', como sempre.
Olha, estou a
comunicar-te para te solicitar algum trabalho mas, desde já
te digo que não precisas correr...
…
Acontece é que depois
ele me pede para ver se consigo saber alguma coisa sobre as
circunstâncias do falecimento de um camarada
Furriel, chamado
Fernando Pacheco dos
Santos, ao que parece nado e criado em
Setúbal
(por eu agora viver cá ele pensou que eu poderia conhecer
mas a verdade é que só vim para cá trabalhar 2 meses antes
do 25 de Abril de 74 e passei a viver em permanência só a
partir de Julho/Agosto de 75) e que pertenceu à
CART 2673.
Diz que já procurou e
não encontrou nada de pormenorizado, diz que
morreu em combate,
salvo erro em 7 de Julho
de 1970, pois é isso que parece estar no
portal dos combatentes em que se refere ter essa Companhia
tido 4 mortos nesse dia, entre os quais o tal Fernando que
esteve com ele em Vendas Novas.
…
Por mim vou tentar ver
junto de alguns, poucos, conhecidos, aqui de Setúbal que
possam ter sido contemporâneos e/ou possam saber algo mais.
Abraço
Hélder Sousa”
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Antes de entrar na
transcrição, do que localizei na AHM, refiro que a Companhia
de Artilharia nº 2673, teve, como unidade mobilizadora, o
Grupo de Artilharia Contra Aeronaves nº 2, aquartelada em
Torres Novas, de onde partiu para a Guiné e onde chegou em 6
de Fevereiro de 1970 (tinha embarcado em Lisboa em 31 de
Janeiro anterior), tendo regressado em 2 de Dezembro de
1971.
Foi comandada
pelo Capitão de Artilharia Adolfo Pereira Marques, que foi
substituído pelo Capitão Miliciano José Vieira Pedro.
Usou como
Divisa “Leões de Empada” e a história da unidade encontra-se
arquivada na caixa 91, na 2ª Divisão/4ª Secção do AHM.
Do seu
percurso no CTIG, refere-se que seguiu para Empada em 4 de
Fevereiro de 1970, para substituir a Companhia de Caçadores
nº 2381 e assumir a responsabilidade do subsector em 26
desse mesmo mês.
Desde 9 de
Abril, cedeu pelotões para reforço de Nhacra e Buba até 12
de Julho de 1970, data em que regressaram a Empada. O
subsector de Empada tinha sido alargado com as zonas de
acção das áreas das penínsulas de Cubisseca e Pobreza.
Foram obtidos
excelentes resultados nas operações realizadas pela
subunidade nas operações realizadas nas regiões de Caúr,
Buduco, Cancumba e Satecuta, entre outras.
Foi rendida
no subsector de Empada pela Companhia de Caçadores nº 3373,
em 28 de Maio de 1971, seguindo para Bissau onde substitui a
Companhia de Caçadores nº 2571, na guarnição e defesa dos
pontos sensíveis da área.
A 30 de Maio
de 1971 assumiu o subsector de Brá, integrando o COMBIS
[Comando de Bissau], destacando efectivos para Safim e João
Landim, subsector de Nhacra, e para Cumeré, em reforço das
guarnições locais, até ser rendida pela Companhia de
Artilharia nº 2672, para embarcar para a metrópole.
[7º Volume - Tomo II –
Guiné – Fichas das Unidades, da Resenha Histórico-Militar
das Campanhas de África (1961 – 1974), página 472]
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Em 2 de Junho de 2010, no
Arquivo Histórico Militar, com o processo à minha frente,
fui desfolhando, página a página, tentando encontrar algo
que me levasse ao facto que estava em análise, retirando do
mesmos o seguinte:
CAP II / HU / PAG. 17
e 18
FASCICULO IV
(Período de 01JUL70 –
31JUL70)
SITUAÇÃO GERAL
Com as primeiras chuvas,
o terreno tornou-se mais propício aos deslocamentos do IN
[inimigo]. Na época seca, após as queimadas, grandes
extensões de terreno são visíveis, dificultando-lhes a
entrada na nossa ZA [zona de acção], já que as NT [nossas
tropas] batem diariamente toda a zona. A partir desta
altura, o capim cresceu, permitindo-lhes a aproximação
diurna, com maior facilidade. Tomando partido dessa
vantagem, o IN pretendeu, no período em referência, efectuar
um ataque em força e um possível assalto ao quartel e
tabanca. Apoiado por um grupo de foguetões, instalado em CÃ
BALANTA, deslocou efectivos da ordem de 200 combatentes que
se aproximaram por IANGUÉ-CAUR DE BAIXO BEAFADA. No mesmo
conjunto vinham integrados grupos de artilharia e
infantaria.
Levariam
adiante os seus intentos, se não fosse um reduzido GCOMB
[grupo de combate] reforçado com Milícia, perfazendo um
efectivo de 30 homens, emboscados no cruzamento de CAUR, que
lhe fez frente, causando-lhes inúmeras baixas.
Entretanto,
devido à enorme superioridade do IN em efectivos e material,
também as NT tiveram baixas e sofreram a captura de algum
material. Só um punhado de combatentes voluntariosos, bem
conduzidos pelo seu chefe, conseguiu que o contacto IN não
redundasse em tragédia total. Para o insucesso parcial das
NT, muito contribuiu a falta de efectivos de que então se
dispunha, devida a 2 GCOMB continuarem em diligência na CCAÇ
2616.
Por
informações posteriores, soube-se que o IN tinha
conhecimento da falta de efectivos em Empada, motivo por que
foi planeada tal operação.
Este facto
baixou um pouco o moral das NT, tendo o comando da Companhia
envidado todos os esforços para que tal não acontecesse.
Também a visita de Sua Exª o Comandante-Chefe, teve como fim
principal estimular as NT aproveitando para recordar as
críticas elogiosas que sempre fizera à CART. Igualmente deu
ordem para os 2 GCOMB regressarem de novo à CART, voltando a
ficar toda reunida.
Todas as
actividades do período anterior foram mantidas, renovando a
segurança aos trabalhos da bolanha da UALADA, no início da
nova época agrícola. Foram dadas à população todas as
facilidades de transporte.
ACTIVIDADES DIÁRIAS
01JUL -À tarde, 1 GCOM
com Milícia patrulharam CANCHUMA, CANTORÁ e emboscaram no
cruzamento de CANTORÁ
02JUL -1 GCOMB com
Milícia patrulharam MISSIRÁ BIAFADA, FARANCUNDA BALANTA,
emboscando no trilho, seguindo depois por BUNHADO,
FARANCUNDA BEAFADA, MISSIRÁ BEAFADA e BUDUCO.
03JUL - 1 GCOMB com
Milícia patrulharam UALADA e MISSIRÁ BALANTA, montando uma
emboscada em BADUCO.
04JUL - 1 GCOMB com
Milícia patrulharam MISSIRÁ BEAFADA, FARACUNDA BEAFADA,
MADINA DE CIMA BEAFADA, BUNHADO, DANDO e MISSIRÁ BEAFADA.
05JUL - Ao entardecer 1
GCOMB com Milícia patrulharam MISSIRÁ BALANTA e UALADA e
montaram uma emboscada nocturna em CANCUMBA BALANTA.
06JUL - À tarde, 1 GCOMB
com Milícia patrulharam CANCHUMA, CANCUMBA BEAFADA, onde foi
montada uma emboscada nocturna.
07JUL - Às
15H30, 2 secções do 1º GCOMB reforçadas com Milícia,
seguiram para o cruzamento de CAUR, onde emboscaram, À
17H30, progredindo obliquamente à instalação das NT e na
direcção deles, apareceu um numeroso grupo IN. Quase
simultaneamente as NT abriram fogo, abatendo dois elementos
do IN, que abriu um intenso e ajustado fogo de PRG e armas
automáticas sobre as NT, matando os apontadores e
municiadores de armas pesadas. Alguns Milícias assustados
com o potencial IN, retiraram para o quartel, ficando as NT
reduzidas a 7 homens válidos, a fazerem face ao IN. Foi
pedido apoio aéreo que não se efectivou, devido às péssimas
condições atmosféricas. O reforço do quartel tardou a ir e
chegou minguado, embora com ele se pusesse o IN em
debandada. Veio segundo reforço do quartel que ajudou a
transportar os mortos e os feridos.
Nesta
acção as NT sofreram 4 mortos e sete feridos, e a Milícia 3
mortos e 4 feridos. O IN sofreu 5 mortos confirmados e mais
prováveis.
Cerca das
19H00 o IN flagelou, pela 1ª vez, com foguetões 122mm, sem
consequências.
08JUL -
Cerca das 04H00 da madrugada, regressaram as forças a que se
refere a acção do dia anterior.
Sua Exª o
Comandante-chefe, visitou EMPADA, para se inteirar de todos
os acontecimentos da véspera. Em formatura da CART e Compª
de Milícia, S. Exª procurou moralizar o pessoal em face dos
últimos acontecimentos. Aos milícias que fugiram,
expulsou-os da Companhia. Aos que enfrentaram o IN,
elogiou-os pela sua coragem. Perante os mortos, perfilou-se
em continência, mantendo alguns momentos de silêncio.
09JUL - 1 GCOMB com
Milícia patrulharam UALADA, MISSIRÁ BALANTA, MISSIRÁ BEAFADA
e BUDUCO.
10JUL - 1 GCOMB com
Milícia patrulharam UALALA, CANCUMBA BALANTA e CANCUMBA
BEAFADA.
11jul - 1 sec COM
MILÍCIA montaram segurança aos trabalhadores da bolanha de
UALADA.
12JUL - 1 GCOMB com
Milícia, saíram à tarde para patrulhar a zona de UALADA,
CANCUMBA BALANTA e CANCAUMBA BEAFADA, onde montaram uma
emboscada nocturna.
Regressaram
de BUBA o 2º e 3º GCOMBS, que ali se haviam mantido em
diligência na CCAÇ 2616.
CAP III / HU / PAG. 4
FASCICULO IV
(Período de 01JUL70 –
31JUL70)
A – BAIXAS SOFRIDAS
a)
Em combate
no dia 7 de Julho de 1970
Mortos
* 1º Cabo Miliciano
Atirador de Artilharia, NM 08198469 – FERNANDO PACHECO
SANTOS
* 1º Cabo Atirador de
Artilharia, NM 09773669 – AGOSTINHO VALE ALMEIDA
* Soldado Atirador de
Artilharia, NM 09002769 – JOSÉ CONSTANTINO GONÇALO
* Soldado Atirador de
Artilharia, NM 09327569 – ERCILIO SILVA MEDEIROS
* Comandante Secção de
Milícias nº 40464 – MALAN CASSAMÁ
* Soldado Milícia, nº
44264 – ANSUMANE JALÓ
* Soldado Milícia, nº
50864 – ANSUMANE MANÉ
Feridos
Graves
* 1º Cabo Atirador de
Artilharia, NM 12538769 – ANTÓNIO SILVA
* Soldado Atirador de
Artilharia, NM 09327569 – VALDEMAR C. FERREIRA
* Soldado Atirador de
Artilharia, NM 09115569 – ANTÓNIO HERMINIO DINIS
* Soldado Atirador de
Artilharia, NM 09154669 – VITOR SANTOS TEIXEIRA
* Soldado Milícia, nº
42064 – MUSSA BALDÉ
* Soldado Milícia, nº
44564 – SIRO MANÉ
* Soldado Milícia, nº
50464 – CHERIFO INJAI
* Soldado Milícia, nº
44364 – CHERIFO JAURA
Feridos
Ligeiros
* Aspirante a Oficial
Miliciano, NM 14055369 – AGOSTINHO CORREIA SILVA
* 2º Sargento de
Artilharia, NM 52023911 – MANUEL ADELINO CORREIA TEIGAO
* 1º Cabo Atirador de
Artilharia, NM 19782569 – ANTÓNIO J. F. FERREIRA
b)
Por outras
causas
Nada
B – PUNIÇÕES
Nada
C – LOUVORES E
CONDECORAÇÕES
a)
Apreciação
da actividade operacional por S. Exª o General
Comandante-chefe ao BCAÇ 2892, destacando-se a parte que
interessa à CART:
- Período de 12 a 19 de
Julho de 1970
“Boa e bem orientada
actividade geral, salientando-se a actividade da Guarnição
de EMPADA” (CART 2673)
-Período de
26 de Julho a 2 de Agosto de 1970
“Boa e bem orientada
actividade geral, continuando a verificar-se boa actividade
da Guarnição de EMPADA” (CART 2673)
CAP III / HU / PAG. 5
FASCICULO V
(Período de 01AGO70 –
31AGO70)
A – BAIXAS SOFRIDAS
a)
Em
combate
Nada
b) Por outras causas
Nada
B – PUNIÇÕES
Nada
C – LOUVORES E
CONDECORAÇÕES
a)
Apreciação
da actividade operacional por S. Exª o General
Comandante-Chefe ao BCAÇ 2892, destacando-se a parte que
interessa à CART:
- Período de 09 a 16 de
Agosto de 1970
“Boa e bem orientada
actividade geral, salientando-se a actividade da Guarnição
de EMPADA” (CART 2673)
b) Louvores
individuais
Pelo Exmº Comandante do
BCAÇ 2892, foram louvados os seguintes militares da
Companhia de Artilharia nº 2673 e da Companhia de Milícias
nº 6:
* 1º Cabo Miliciano
Atirador de Artilharia, NM 08198469 – FERNANDO PACHECO
SANTOS (A Título Póstumo)
* Soldado Atirador de
Artilharia, NM 09308669 – ANTÓNIO CARVALHO COUTO
* Soldado
Radiotelegrafista, NM 09097669 – JOSÉ MOTA BRITES
* Comandante de
Pelotão de Milícias nº 21864 – BUBACAR BARÓ
Começaram a
elaborar-se processos de averiguações para atribuição de
Medalha Militar, aos seguintes militares:
* Aspirante a Oficial
Miliciano, NM 14055369 – AGOSTINHO CORREIA SILVA
* 2º Sargento de
Artilharia, NM 52023911 – MANUEL ADELINO CORREIA TEIGAO
CAP III / HU / PAG. 10
FASCICULO X
Desde 23JAN71 está-se a
proceder à organização de processo de averiguações para
atribuição de Medalha Militar, aos seguintes militares:
* 1º Cabo Miliciano
Atirador de Artilharia, NM 08198469 – FERNANDO PACHECO
SANTOS
* 1º Cabo Atirador de
Artilharia, NM 09773689 – AGOSTINHO VALE ALMEIDA
* Soldado Atirador de
Artilharia, NM 09002769 – JOSÉ CONSTANTINO GONÇALO
* Soldado Atirador de
Artilharia, NM 09327569 – ERCILIO SILVA MEDEIROS
CAP III / HU / PAG. 17
FASCICULO XVI
……………………
C – LOUVORES E
CONDECORAÇÕES
a)
Condecorações
1º Cabo Miliciano
Atirador de Artilharia, NM 08198469 – FERNANDO PACHECO
SANTOS, condecorado com a Cruz de Guerra 4ª Classe, a
título póstumo, por despacho de de Sua Exª o General
Comandante-Chefe.
CAP III / HU / PAG. 19
FASCICULO XVIII
……………………
C – LOUVORES E
CONDECORAÇÕES
b)
Condecorações
Concedida a Medalha das
Campanhas da Guiné, com a legenda “GUINÉ 1970 – 1971” por
despacho de S. Exª o Brigadeiro Comandante Militar, aos
militares da CArt 2673, a seguir mencionados
………………………..
Pessoal que faleceu
por ferimentos em combate:
* 1º Cabo Miliciano
Atirador de Artilharia, NM 08198469 – FERNANDO PACHECO
SANTOS
* 1º Cabo Atirador de
Artilharia, NM 09773689 – AGOSTINHO VALE ALMEIDA
* Soldado Atirador de
Artilharia, NM 09002769 – JOSÉ CONSTANTINO GONÇALO
* Soldado Atirador de
Artilharia, NM 09327569 – ERCILIO SILVA MEDEIROS
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Elementos retirados do 8º
Volume - Mortos em Campanha – Resenha Histórico.Militar das
Campanhas de África (1961 -1974)].
Tomo II – Livro 1,
pagina 532 e 533
Pertencentes à Companhia
de Artilharia nº 2673, mobilizada no Grupo de Artilharia
Contra Aeronaves nº 2, em Torres Novas, e falecidos em
combate em Empada, depois do cruzamento de Caur, no dia 7 de
Julho de 1970:
-
AGOSTINHO VALE
ALMEIDA, 1º Cabo Atirador de Artilharia, NM
09773689,Solteiro,filho de Agostinho Torres de Almeida e
Maria da Conceição Vale, natural da freguesia de Santa
Marinha e concelho de Seia. Foi inumado no Cemitério
Paroquial de Santa Marinha.
-
ERCILIO SILVA
MEDEIROS, Soldado Atirador de Artilharia, NM
09327569, solteiro, filho de Feliciano Medeiros e Maria
da Silva, natural do lugar da Charca de Medriz,
freguesia de Relíquias e concelho de Odemira. Foi
inumado no Cemitério Paroquial de Relíquias.
-
FERNANDO PACHECO
SANTOS, 1º Cabo Miliciano Atirador de Artilharia, NM
08198469, Solteiro, filho de Januário dos Santos e Maria
Jacinta Pacheco dos Santos, natural da freguesia de
Anunciada e concelho de Setúbal. Foi inumado no
Cemitério de Nossa Senhora da Piedade em Setúbal.
-
JOSÉ CONSTANTINO
GONÇALO, Soldado Atirador de Artilharia, NM
09002769, Solteiro, filho de José Gonçalo e Maria
Felicidade, natural da freguesia de Nadadouro e concelho
de Caldas da Rainha. Foi inumado no Cemitério de
Nadadouro.
Tomo II – Livro 2,
pagina 512
Mobilizados no Comando
Territorial Independente da Guiné, para servirem em unidades
do exército como Caçadores Nativos, Soldados Milícias,
Policias administrativos, Guias e Outros, Adidos à Companhia
de Artilharia nº 2673, mobilizada no Grupo de Artilharia
Contra Aeronaves nº 2, em Torres Novas, e falecidos em
combate em Empada, depois do cruzamento de Caur, no dia 7 de
Julho de 1970, e foram todos inumados no Cemitério de
Empada, na Guiné:
-
ANSUMANE JALÓ,
Soldado Milícia, nº 44264, casado com Djanque Vermelho,
filho de Pasim e Carinom, natural do lugar Pelundo da
freguesia de Nossa Senhora da Natividade e concelho de
Cacheu.
-
ANSUMANE MANÉ,
Soldado Milícia, nº 50864, casado com Fati Sambu, filho
de Infali Mané e Mansata Camará, natural da freguesia de
Cancundo e concelho de São Benedito.
-
MALAN CASSAMÁ,
Comandante Secção de Milícias nº 40464, casado com Binta
Mané, filho de Ansumane Cassamá e Mariana Injai, natural
do lugar de Batambali, freguesia de São Benedito e
concelho de Fulacunda
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Elementos retirados do 5º
Volume - Condecorações Militares Atribuídas – Cruz de
Guerra, Resenha Histórico.Militar das Campanhas de África
(1961 -1974)].
Tomo VI – Cruz de
Guerra 1970-1971, pagina 500
1º Cabo Miliciano
Atirador de Artilharia nº 08198469
FERNANDO PACHECO DOS
SANTOS
CArt 2673/BCaç 2892/GACA
2
Guiné
4ª Classe (Título
Póstumo)
Transcrição do Despacho
publicado na OE nº 22 - 3ª série, de 1971
Agraciado com a Cruz de
Guerra de 4ª classe, nos termos do artigo 12º do Regulamento
da Medalha Militar, promulgado pelo Decreto nº 35 667, de 28
de Maio de 1946, por despacho do Comandante-Chefe das Forças
Armadas da Guiné, de 4 de Junho findo, o 1º Cabo Miliciano
nº 08198469 Fernando Pacheco dos Santos, da Companhia de
Artilharia nº 2673/Batalhão de Caçadores nº 2892 – Grupo de
Artilharia Contra Aeronaves nº 2, a título póstumo.
Transcrição do louvor a
que deu origem a condecoração
(Publicado na OS nº 54,
de 31 de Dezembro de 1970 do QG/CTIG)
Que, por seu despacho de
23Dez70, considera-se como dado por si, o louvor, a título
póstumo, constante do Artº 3º, nº 1, da OS nº 191, de
1oAGO70,do BCaç 2892, conferido ao 1º Cabo Miliciano nº
08198469 Fernando Pacheco dos Santos, com o mesmo teor:
“Porque, no dia 07Jul70,
durante uma emboscada montada pelo seu Grupo de Combate,
quando um forte e bem armado grupo In reagia com grande
impetuosidade desde o inicio do desenrolar da acção,
manteve-se de pé, lançando dilagramas e incentivando os
homens da sua Secção, só deixando de o fazer quando foi
mortalmente atingido.
O 1º Cabo Miliciano
Pacheco, pela grande coragem, desprezo pelo perigo e pela
própria vida, evidenciou as qualidades que caracterizam um
verdadeiro combatente.”
Tomo VII – Cruz de
Guerra 1972-1973, pagina 87
Aspirante a Oficial
Miliciano de Artilharia
AGOSTINHO CORREIA DA
SILVA
CArt 2673/GACA 2
Guiné
3ª Classe
Transcrição Da portaria
publicada na OE nº 7 - 2ª série, de 1972
Manda o Governo da
Republica Portuguesa, pelo Ministro da Defesa Nacional,
condecorar, por proposta do Comandante-Chefe das Forças
Armadas da Guiné, o Aspirante a Oficial Miliciano, Agostinho
Correia da Silva, da Companhia de Artilharia nº 2673, do
GACA nº 2, com a medalha da Cruz de Guerra de 3ª classe, ao
abrigo dos artigos 14ª, 15ª 16ª e 63º do Regulamento da
Medalha Militar, de 20 de Dezembro de 1971.
Transcrição do louvor a
que deu origem a condecoração
(Publicado na OS nº 29,
de 19 de Novembro de 1971, Do CCFAG e nº 123, de 24 de Maio
de 1972, do GACA 2):
Louvado o Aspirante a
Oficial Miliciano, Agostinho Correia da Silva, da CArt 2673
-GACA 2, por Sua Excelência o General Comandante Chefe das
Forças Armadas da Guiné, por despacho de 12Nov71, pelas
qualidades de coragem, decisão e sangue frio e serena
energia debaixo de fogo demonstradas no comando do seu Grupo
de Combate no decorrer de uma emboscada montada pelas nossas
tropas, perante um inimigo forte bem armado e que reagiu com
invulgar potencial de fogo.
Com verdadeiro desprezo
pelo perigo e só depois de haver sofrido algumas baixas,
conseguiu com o seu reduzido número de elementos que lhe
restavam, aguentar a impetuosidade das arremetidas do In
durante cerca de duas horas. Por meio de lanços e
protegendo-se com o fogo da sua arma, manobrou no terreno
conseguindo retirar os seus subordinados da zona mais
fortemente batida.
Deste modo, com a sua
valorosa actuação, aguentou o fogo In e causou várias baixas
ao adversário até ao momento em que, com os reforços
recebidos, obrigou o inimigo a retirar em fuga desordenada.
Pela sua atitude,
reveladora da mais alta compreensão do dever, o Aspirante
Correia da Silva é um militar que muito honra a Arma a que
pertence e o Exército que tão abnegadamente serve.
Tomo VII – Cruz de
Guerra 1972-1973, pagina 44
2º Sargento de
Artilharia
MANUEL ADELINO CORREIA
TEIGÃO
CArt 2673/GACA 2
Guiné
4ª Classe
Transcrição Da portaria
publicada na OE nº 3 - 3ª série, de 1972
Agraciado com a Cruz de
Guerra de 4ª classe, nos termos do artigo 12º do Regulamento
da Medalha Militar, promulgado pelo Decreto nº 35 667, de 28
de Maio de 1946, por despacho do Comandante-Chefe das Forças
Armadas da Guiné, de 10 de Novembro último, o 2º Sargento de
Artilharia Manuel Adelino Correia Teigão, da Companhia de
Artilharia nº 2673/Batalhão de Caçadores nº 2892 – Grupo de
Artilharia Contra Aeronaves nº 2.
Transcrição do louvor a
que deu origem a condecoração
(Publicado nas OS nº 28,
de 08 de Novembro de 1971, do CCFAG e nº 46, de 18 do mesmo
mês e ano do QG/CTIG):
Sua
Excelência o General Comandante-Chefe das Forças Armadas da
Guiné, por seu despacho de 01Nov71, louvou o 2º Sargento de
Artilharia Manuel Adelino Correia Teigão, da Companhia de
Artilharia nº 2673 – GACA 2 pelas extraordinárias qualidades
de coragem, decisão, sangue-frio e serena energia debaixo de
fogo evidenciadas no Teatro de Operações da Guiné.
De realçar, a
sua actuação no decurso de uma emboscada levada a efeito
pelo seu Grupo de Combate, em que, fortemente atacado por
numeroso grupo inimigo, se manteve firme, incitando os
homens da sua Secção, dos quais alguns se encontravam
gravemente feridos, conseguindo aguentar o impacto do
adversário durante cerca de duas horas.
Quando já se
encontrava sem munições, não hesitou, indiferente ao perigo,
em rastejar até junto dos camaradas feridos para utilizar os
seus carregadores em tiros espaçados, protegendo-os das
arremetidas do inimigo que tentava a todo o custo o assalto
à posição onde se encontravam.
Por tudo o
que fica expresso, demonstrou, o 2º Sargento Teigão,
excelentes qualidades militares, ganhando jus a ser apontado
ao respeito e consideração pública.
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Nada de extraordinário
brota das páginas, já carcomidas pelo tempo que já passou,
depositadas nas prateleiras à espera de serem analisadas.
São histórias
da história de muitos jovens, nos quais nos incluíamos,
tentando cumprir uma missão que nos tinha sido colocada,
para rapidamente, tão rapidamente quanto possível,
regressarmos, voltar à vida antiga, àquela que, anos antes,
havíamos deixado.
Mas aqui
sobressai um facto estranho:
Sendo todos
os Aspirantes a Oficial Miliciano e os 1ºs Cabos Milicianos
promovidos ao posto imediato, á data de embarque, porque
será que nesta Companhia havia dois elementos, um que morreu
e outro que ficou ferido em combate, não foram promovidos?
Nem mesmo
depois de louvados e condecorados, por actos de bravura?
As teias
que o Império tece, ou teceu!
08 de Julho de 2010
José Marcelino Martins |